quinta-feira, 8 de junho de 2017

TERMOS em FILOSOFIA

TERMOS em FILOSOFIA
ONTOLOGIA

Ontologia (do grego ontos "ente" e logoi, "ciência do ser") é a parte da metafísica que trata da natureza, realidade e existência dos entes. A ontologia trata do ser enquanto ser, isto é, do ser concebido como tendo uma natureza comum que é inerente a todos e a cada um dos seres que gosta de estudar. A aparição do termo data do século XVII, e corresponde à divisão que Christian Wolff realizou quanto à metafísica, seccionando-a em metafísica geral (ontologia) e as especiais (Cosmologia Racional, Psicologia Racional e Teologia Racional). Embora haja uma especificação quanto ao uso do termo, a filosofia Contemporânea entende que Metafísica e Ontologia são, na maior parte das vezes, sinônimos, muito embora a metafísica seja o estudo do ser e dos seus princípios gerais e primeiros, sendo portanto, mais ampla que o escopo da ontologia.



História antiga da ontologia[editar código-fonte]

O conceito de ontologia originou-se na Grécia Antiga, tendo ocupado as mentes de PlatãoAristóteles e Parmênides. O mais antigo registro da palavra ontologia é o latino ontologia, que surgiu em 1606, no trabalho Ogdoas Scholastica, de Jacob Loard (Lorhardus), e em 1613 no Lexicon philosophicum, de Rudolf Göckel.

Por ontologia, portanto, entenda-se o estudo do ser enquanto ser, suas categorias, princípios e essência. Três são as grandes linhas ontológicas consolidadas na matriz do pensamento ocidental:

  1. A ontologia do Uno
    Cuja ideia dominante assevera que toda a realidade procede do Uno, ou manifestação do mesmo ou que se reduza a ele. Seus representantes são ParmênidesPlatãoPlotinoEscoto ErígenaSpinoza e vertentes do pensamento oriental.
  2. Ontologia do Ser
    Que parte não do Uno, mas daquilo que é, e, por conseguinte, do conhecimento empírico e da experiência. Por meio desta vertente da ontologia, o ser se diz de várias maneiras (analogia), cuja maior expressão é a da substância, que, em grau máximo, corresponde a Deus (Primeiro Motor), sem movimento ou mudança. Seus maiores representantes são Aristóteles e Tomás de Aquino, que à luz da Revelação Bíblica conceitua Deus como Ipsum Esse per se subsistens.
  3. Ontologia do Devir (ou do tempo)
    É a que vem se afirmando desde o início da era moderna. Seus representantes são HegelHeidegger, e em alguma medida Nietzsche. Pretendem reintroduzir a dinâmica no ser, e, com isto, sua oposição ao não-ser, como momento de interioridade de vida e do ser.

Alguns filósofos da escola platônica alegam que todos os substantivos referem-se a entidades existentes. Outros filósofos sustentam que nem sempre substantivos nomeiam entidades, mas que alguns fornecem uma espécie de atalho para a referência, para uma coleção de objetos, ou eventos quaisquer. Neste último ponto de vista, mente, pois em vez de se referir a uma entidade, refere-se a eventos mentais vividos por uma pessoa. Por exemplo, "sociedade" remete para um conjunto de pessoas com algumas características comuns, e "geometria" refere-se a um tipo específico de atividade intelectual. Entre estes pólos de realismo e nominalismo, há também uma variedade de outras posições; mas em qualquer uma, a ontologia deve dar conta de que palavras referem-se a entidades que não "são". Quando se aplica a este processo, substantivos, tais como "elétrons", "energia", "contrato", "felicidade", "tempo", "verdade", "causalidade", e "Deus", a ontologia torna-se fundamental para muitos ramos da filosofia.

Questões ontológicas também foram levantadas e debatidas pelos pensadores nas civilizações antigas da Índia e da China, e talvez antes dos pensadores gregos que se tornaram associados com o conceito.


Gnosiologia

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A gnosiologia (também grafado gnoseologia; do grego gnosis, 'conhecimento', e logos, 'discurso'),[1] também chamada teoria do conhecimento,[2] é o ramo da filosofia que se ocupa do estudo do conhecimento. É a reflexão em torno da origem, natureza e limites do ato cognitivo. Ocupa-se da validade do conhecimento em função do sujeito cognoscente, ou seja, daquele que conhece o objeto.

A gnoseologia não se confunde com a epistemologia, que se refere apenas ao conhecimento científico. A metafísica também não pode ser confundida com ontologia: ambas se preocupam com o ser; porém a metafísica põe em questão a própria essência e existência do ser. Em outras palavras, grosso modo, a ontologia insere-se na teoria geral do conhecimento, que se preocupa com a validade do pensamento, das condições do objeto e sua relação com o sujeito cognoscente, enquanto que a metafísica procura a verdadeira essência e condições de existência do ser.

EPISTEMOLOGIA

Epistemologia (do grego ἐπιστήμη [episteme]: conhecimento científico, ciência; λόγος [logos]: discurso, estudo de) é o ramo da filosofia que trata da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, especialmente nas relações que se estabelecem entre o sujeito e o objeto do conhecimento. Nesse sentido, pode ser também chamada teoria do conhecimento ou gnosiologia. Em sentido mais restrito, refere-se às condições sob as quais se pode produzir o conhecimento científico e dos modos para alcançá-lo, avaliando a consistência lógica de teorias. Nesse caso, identifica-se com a filosofia da ciência.

Existem limites epistemológicos, que se devem ao fato de a diversidade e a complexidade dos seres humanos e dos ambientes onde estes se desenvolvem tornarem virtualmente impossíveis os procedimentos de controle experimental.

Relaciona-se também com a metafísica. A sua problemática compreende a questão da possibilidade do conhecimento - nomeadamente, se é possível ao ser humano retratar o conhecimento total e genuíno - dos limites do conhecimento (haveria realmente uma distinção entre o mundo cognoscível e o mundo incognoscível?) e da origem do conhecimento (por quais faculdades atingimos o conhecimento? Haverá conhecimento certo e errado em alguma concepção a priori?).

Conhecimento[editar | editar código-fonte]

O conhecimento como um conjunto de crenças verdadeiras e justificadas.

Em geral, a epistemologia também discute o conhecimento proposicional ou o "saber que". Esse tipo de conhecimento difere do "saber como" e do "conhecimento por familiaridade". Por exemplo: sabe-se que 2 + 2 = 4 e que Napoleão foi derrotado na batalha de Waterloo. Essas formas de conhecimento diferem de saber como andar de bicicleta ou como tocar piano, e também diferem de conhecer uma determinada pessoa ou estar "familiarizado" com ela. Alguns filósofos consideram que há uma diferença considerável e importante entre "saber que", "saber como" e "familiaridade" e que o principal interesse da filosofia recai sobre a primeira forma de saber.

Em seu ensaio Os Problemas da Filosofia, Bertrand Russell distingue o "conhecimento por descrição" (uma das formas de saber que) do "conhecimento por familiaridade".[1] Gilbert Ryle dedica atenção especial à distinção entre "saber que" e "saber como" em The concept of mind (O Conceito de Mente).[2] Em Personal Knowledge, Michael Polanyi argumenta a favor da relevância epistemológica do saber-como e do saber-que. Usando o exemplo do equilíbrio envolvido no ato de andar de bicicleta, ele sugere que o conhecimento teórico da física para a manutenção do estado de equilíbrio não pode substituir o conhecimento prático sobre como andar de bicicleta. Para Polanyi, é importante saber como essas duas formas de conhecimento são estabelecidas e fundamentadas. Essa posição é a mesma de Ryle, que argumenta que, se não consideramos a diferença entre saber-que e saber-como, somos inevitavelmente conduzidos a um regresso ao infinito.

Mais recentemente, alguns epistemólogos (Ernest Sosa, John Greco, Jonathan Kvanvig, Linda Trinkaus Zagzebski) argumentaram que a epistemologia deveria avaliar as propriedades das pessoas (isto é, suas virtudes intelectuais) e não somente as propriedades das proposições ou das atitudes proposicionais da mente. Uma das razões é que as formas superiores de processamento cognitivo (como, por exemplo, o entendimento) envolveriam características que não podem ser avaliadas por uma abordagem do conhecimento que se restrinja apenas às questões clássicas da crença, verdade e justificação.

Crença[editar | editar código-fonte]

No discurso comum, uma "declaração da verdade" é uma típica expressão de fé ou confiança em uma pessoa, num poder ou em outra entidade - o que inclui visões tradicionais. A epistemologia se preocupa com o que acreditamos; isso inclui a verdade e tudo que nós aceitamos para nós mesmos como verdade. Desse modo, crença é: estado mental aceitar que a proposição é verdadeira.

Verdade[editar | editar código-fonte]

A verdade não é um pré-requisito para a crença. De outro modo, se algo é conhecido, categoricamente, não pode ser falso. Por exemplo: se uma pessoa acredita que a ponte é segura o suficiente para aguentar seu peso e tenta atravessá-la, mas a ponte se quebra devido ao peso, pode-se dizer que a pessoa acreditou que a ponte era segura, mas estava errada. Não seria correto afirmar que ele sabia que a ponte era segura, pois ela, claramente, não era. Em contraste, se a ponte aguentasse seu peso, ela diria que acreditou que a ponte era segura e, agora que cruzou a ponte e provou para si que a ponte é segura, ela sabe que é segura.

Justificação[editar | editar código-fonte]

A justificação se constitui das razões ou provas apresentadas em apoio à veracidade de uma crença ou de uma afirmação. É preciso, portanto, compreender as razões de uma crença e se tais razões têm um fundamento lógico.



Positivismo

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Sociologia
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Índice

O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Os principais idealizadores do positivismo foram os pensadores Auguste Comte e John Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX. É um conceito que possui distintos significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX.[1]

Desde o seu início, com Auguste Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX, até o presente século XXI, o sentido da palavra mudou radicalmente, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, há correntes de outras disciplinas que se consideram "positivistas" sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplos paradigmáticos disso são o positivismo jurídico, do austríaco Hans Kelsen, e o positivismo lógico (ou Círculo de Viena), de Rudolf Carnap, Otto Neurath e seus associados.

Para Comte, o positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799). Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte. O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos. Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstição ou qualquer outro que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.

Método do positivismo de Auguste Comte

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material. O positivismo nega à ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis (relações constantes entre os fenômenos observáveis).

Em sua obra Apelo aos conservadores (1855), Comte definiu a palavra "positivo" com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente. Tudo aquilo que não puder ser provado pela ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Para os positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo.

O positivismo é uma reação radical ao transcendentalismo idealista alemão e ao romantismo, na qual os afetos individuais e coletivos e a subjetividade são completamente ignoradas, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. Substitui-se a Teologia e a Metafísica pelo "Culto à Ciência", o Mundo Espiritual pelo Mundo Humano, o Espírito pela Matéria.

A ideia-chave do positivismo comtiano é a Lei dos três estados, de acordo com a qual o entendimento humano passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade:

  1. Teológico: o ser humano explica a realidade por meio de entidades supranaturais (os "deuses"), buscando responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?"; além disso, busca-se o absoluto;
  2. Metafísico: é uma espécie de meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: "o Éter", "o Povo", "o Mercado financeiro", etc. Continua-se a procurar responder a questões como "de onde viemos?" e "para onde vamos?" e procurando o absoluto. É a busca da razão e destino das coisas, é o meio termo entre teológico e positivo.
  3. Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o "porquê" das coisas, mas sim o "como", por meio da descoberta e do estudo das leis naturais, ou seja, relações constantes de sucessão ou de co-existência. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.
    Ver artigo principal: Espírito positivo

A religião da humanidade

Auguste Comte - por meio da obra "Sistema de Política Positiva" (1851-1854) - institui a Religião da Humanidade. Após a elaboração de sua filosofia, Comte concluiu que deveria criar uma nova religião: afinal, para ele, as religiões do passado eram apenas formas provisórias da única e verdadeira religião: a religião positiva. Segundo os positivistas, as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural, pelos "deuses", mas sim pela busca da unidade moral humana. Daí a necessidade do surgimento de uma nova religião que apresenta um novo conceito do Ser Supremo, a Religião da Humanidade.

Comte foi profundamente influenciado a tal pela figura de sua amada Clotilde de Vaux.

Segundo os positivistas, a Teologia e a Metafísica nunca inspiraram uma religião verdadeiramente racional, cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito positivo. Estabelecendo a unidade espiritual por meio da ciência, a Religião da Humanidade possui como principal objetivo a "regeneração social e moral".

Assim como o catolicismo está fundamentado na filosofia escolástica de Tomás de Aquino, a Religião da Humanidade está fundamentada na filosofia positivista de Auguste Comte fundamentada na ciência clássica.

A Religião da Humanidade possui, como Ser Supremo, a Humanidade Personificada, tida como deusa pelos positivistas. Ela representa o conjunto de seres convergente de todas as gerações, passadas, presentes e futuras que contribuíram, que contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano.

A ciência clássica se constitui no dogma da Religião da Humanidade. Também existem templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade (chamada Grão-Ser pelos positivistas). A religião positivista caracteriza-se pelo uso de símbolos, sinais, estandartes, vestes litúrgicas, dias de santos (grandes tipos humanos), sacramentos, comemorações cívicas e pelo uso de um calendário próprio, o Calendário Positivista (um calendário lunar composto por 13 meses de 28 dias).

O lema da religião positivista é : "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim". Seu regime é: "Viver às Claras" e "Viver para Outrem".

Auguste Comte foi o criador da palavra "altruísmo", palavra que segundo o fundador, resume o ideal de sua Nova Religião.

O positivismo no Brasil

O lema Ordem e Progresso na bandeira do Brasil é inspirado pelo lema positivista: "Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta". Foi usado na bandeira, pois várias pessoas envolvidas na Proclamação da República do Brasil eram seguidores das ideias de Auguste Comte.[2]
A Capela Positivista de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Seria exagero atribuir aos positivistas a Proclamação da República do Brasil: é no processo de consolidação desta que se verifica a influência que exerceram destacando-se o coronel Benjamim Constant (que, depois, foi homenageado com o epíteto de "Fundador da República Brasileira").

De acordo com VALENTIM (2010):

A partir da segunda metade do século XIX, as ideias de Auguste Comte permearam as mentalidades de muitos mestres e estudantes militares, políticos, escritores, filósofos e historiadores. Vários brasileiros adotaram, ou melhor, se converteram ao positivismo, dentre eles o professor de matemática da Escola Militar do Rio de Janeiro Benjamin Constant, o mais influente de todos. Tais influências estimularam movimentos de caráter republicano e abolicionista, em oposição à monarquia e ao escravismo dominante no Brasil. A Proclamação da República, ocorrida através de um golpe militar, com apoio de setores da aristocracia brasileira, especialmente a paulista, foi o resultado “natural” desse movimento.

A conformação atual da bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso, surgida a partir da divisa comteana O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por meta, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista.

Outros positivistas de importância para o Brasil foram Nísia Floresta (a primeira feminista brasileira e discípula direta de Auguste Comte), Miguel Lemos, Euclides da Cunha, Luís Pereira Barreto, o marechal Cândido Rondon, Júlio de Castilhos, Demétrio Nunes Ribeiro, Carlos Torres Gonçalves, Ivan Monteiro de Barros Lins, Roquette-Pinto, Barbosa Lima, Lindolfo Collor, David Carneiro, David Carneiro Jr., João Pernetta, Luís Hildebrando Horta Barbosa, Júlio Caetano Horta Barbosa, Alfredo de Morais Filho, Henrique Batista da Silva Oliveira, Eduardo de Sá e muitos outros.

Houve no Brasil dois tipos de positivismo: um "positivismo ortodoxo", mais conhecido, ligado à Religião da Humanidade e apoiado por Pierre Laffitte, discípulo de Comte, e um "positivismo heterodoxo", que se aproximava mais dos estudos primeiros de Augusto Comte que criaram a disciplina da Sociologia e apoiado por outro discípulo de Comte, Émile Littré.


VITALISMO

O vitalismo é a posição filosófica caracterizada por postular a existência de uma força ou impulso vital sem a qual a vida não poderia ser explicada. Tratar-se-ia de uma força específica, distinta da energia, estudada pela Física e outras ciências naturais, que actuando sobre a matéria organizada daria como resultado a vida. Esta postura opõe-se às explicações mecanicistas que apresentam a vida como fruto da organização dos sistemas materiais que lhe servem de base.

É um aspecto do voluntarismo que argumenta que os organismos vivos (não a matéria simples) se distinguem das entidades inertes porque possuem força vital (ou élan vital, em francês) que não é nem física, nem química. Esta força é identificada frequentemente com a alma, termo amplamente utilizado pelos sistemas religiosos.

Os vitalistas estabelecem uma fronteira clara entre o mundo vivo e o inerte. A morte, diferentemente da interpretação que lhe é dada pela ciência moderna, não seria efeito da deterioração da organização do sistema, mas resultado da perda do impulso vital o da sua separação do corpo material.A morte seria uma consequência indireta da deterioração, que primeiro diminugisa energia vital que por sua vez, é responsável pela morte.Podemos dizer que perda da energia vital é um "intermediário" para morte.

História do vitalismo[editar | editar código-fonte]

Ante o fracasso do mecanicismo cartesiano na explicação da singularidade do orgânico, o vitalismo começa a expandir-se pela Europa, em finais do século XVIII. Em biologia, este quadro teórico teve um momento fecundo, porque afastava o vivo do mecanismo e explicações causais e redutivas do pensamento cartesiano (século XVII), sem cair no sobrenatural. Em sentido estrito, o termo designa a escola de Montpellier.

PANTEÍSMO


O panteísmo é a crença de que absolutamente tudo e todos compõem um Deus abrangente, e imanente,[1] ou que o Universo (ou a Natureza) e Deus são idênticos.[2] Sendo assim, os adeptos dessa posição, os panteístas, não acreditam num deus pessoal, antropomórfico ou criador. A palavra é derivada do grego pan (que significa "tudo") e theos (que significa "deus"). Embora existam divergências dentro do panteísmo, as ideias centrais dizem que deus é encontrado em todo o cosmos como uma unidade abrangente.[3] Recorrendo ao Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, lemos que o panteísmo só admite como Deus "o todo, a universalidade dos seres", não sendo portanto, um conteúdo em particular Deus, mas sim a totalidade deste[4].

O panteísmo foi popularizado na era moderna tanto como uma teologia quanto uma filosofia baseada na obra de Bento de Espinosa,[5] que escreveu o tratado Ética, uma resposta à teoria famosa de Descartes sobre a dualidade do corpo e do espírito.[6] Espinosa declarou que ambos eram a mesma coisa, e este monismo terminou sendo uma qualidade fundamental da sua filosofia. Ele usava a palavra "Deus" para descrever a unidade de qualquer substância. Embora o termo "panteísmo" não tivesse sido inventado durante seu tempo de vida, hoje Espinosa é considerado como um dos mais célebres defensores da crença.[7]

Relação com outras doutrinas e com a ciência[editar | editar código-fonte]

O panteísta é aquele que acredita e/ou tem a percepção da natureza e do Universo como divindade. Ao contrário dos deístas, ele não advoga a existência nem de um Deus criador do Universo, tão pouco das divindades teístas intervencionistas, mas simplesmente especula que tudo o que existe é manifestação divina, autoconsciente.

De entre as doutrinas ocidentais, o panteísmo é uma das que mais se aproximam das filosofias orientais como o budismo, o jainismo, o taoismo e o confucionismo. É também a linha filosófica que mais se aproxima da filosofia hermética do antigo Egito, onde o principal objetivo é fazer parte da conspiração Universal (ou conspiração Cósmica).

Contudo, o panteísta não vê a Ciência de maneira diversa de um ateu, não atribuindo a nenhum tipo de divindade fatos como a origem do Universo, da Vida e da espécie Humana. Deus, no panteísmo, é todo o Universo. O seu templo é qualquer lugar e sua lei é a das Ciências Naturais, a lei natural.

Panteísmo e panenteísmo[editar | editar código-fonte]

No panteísmo, deus tem tamanho igual ao universo. Já no panenteísmo, deus está dentro do Universo, mas existe também fora dele.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ir para cima Encyclopedia of Philosophy ed. Paul Edwards. New York: Macmillan and Free Press. 1967. p. 34.
  2. Ir para cima The New Oxford Dictionary Of English. 11ª edição. Oxford: Clarendon Press. 1998. p. 1341.
  3. Ir para cima O que é panteísmo?
  4. Ir para cima Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. panteísmo. Acesso: 25 de novembro, 2012.
  5. Ir para cima Picton, James Allanson (1905). Pantheism: its story and significance. Chicago: Archibald Constable & CO LTD.. ISBN 978-1419140082.
  6. Ir para cima Plumptre, Constance (1879). General sketch of the history of pantheism, Volume 2. London: Samuel Deacon and Co. pp. 3–5, 8, 29. ISBN 9780766155022.
  7. Ir para cima Shoham, Schlomo Giora (2010). To Test the Limits of Our Endurance. Cambridge Scholars. pp. 111. ISBN 1443820687.
  8. Ir para cima John Culp (May 19, 2009). "Panentheism". The Stanford Encyclopedia of Philosophy. Stanford, CA page=: Stanford Uni versity. "Peacocke identifies his understanding of God's relation to the world as panentheism because of its rejection of dualism and external interactions by God in favor of God always working from inside the universe. At the same time, God transcends the universe because God is infinitely more than the universe".

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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v • e
Paganismo (politeísmo histórico e neopaganismo)
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Pensamento teológico
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Epistemologia
Deontologia


Escola sofística
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Os sofistas se compunham de grupos de mestres que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam "melhorar" seus discípulos, ou, em outras palavras, que a "virtude" seria passível de ser ensinada.

Protágoras (492 a.C.-422 a.C.) e Górgias (483 a.C.-376 a.C.) estão entre os primeiros sofistas conhecidos.

Protágoras foi o primeiro sofista a aceitar dinheiro (pagamento) por seus ensinamentos.

Muitos dos sofistas questionaram a então sabedoria recebida pelos deuses e a supremacia da cultura grega (uma ideia absoluta à época). Argumentavam, por exemplo, que as práticas culturais existiam em função de convenções ou "nomos", e que a moralidade ou imoralidade de um ato não poderia ser julgada fora do contexto cultural em que aquele ocorreu. Tal posição questionadora levou-os a serem perseguidos, inclusive, pelos filósofos gregos.

A conhecida frase "o homem é a medida de todas as coisas" surgiu dos ensinamentos sofistas. Uma das mais famosas doutrinas sofistas é a teoria do contra-argumento. Eles ensinavam que todo e qualquer argumento poderia ser refutado por outro argumento, e que a efetividade de um dado argumento residiria na verossimilhança (aparência de verdadeiro, mas não necessariamente verdadeiro) perante uma dada platéia.

Os Sofistas foram considerados os primeiros advogados do mundo,[1] ao cobrar de seus clientes para efetuar suas defesas, dada sua alta capacidade de argumentação. São também considerados por muitos os guardiões da democracia na antiguidade, na medida em que aceitavam a relatividade da verdade. Hoje, a aceitação do "ponto de vista alheio" é a pedra fundamental da democracia moderna.

Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica. Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.

Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária (a physis) iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera (que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates, tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática).

A principal doutrina sofística consiste, em uma visão relativa de mundo (o que os contrapõe a Sócrates que, sem negar a existência de coisas relativas, buscava verdades universais e necessárias). A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas".

Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade.

Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.

Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foram adotadas também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.

Moral, direito, religião[editar | editar código-fonte]

A sofística , sustenta o relativismo prático, destruidor da moral. Como é verdadeiro o que tal ao sentido, assim é bem o que satisfaz ao sentimento, ao impulso, à paixão de cada um em cada momento. Ao sensualismo, ao empirismo gnosiológicos correspondem o hedonismo e o utilitarismo ético: o único bem é o prazer, a única regra de conduta é o interesse particular. Górgias declara plena indiferença para com todo moralismo: ensina ele a seus discípulos unicamente a arte de vencer os adversários; que a causa seja justa ou não, não lhe interessa. A moral, portanto, - como norma universal de conduta - é concebida pelos sofistas não como lei racional do agir humano, isto é, como a lei que potencia profundamente a natureza humana, mas como um empecilho que incomoda o homem. Desta maneira, os sofistas estabelecem uma oposição especial entre natureza e lei, quer política, quer moral, considerando a lei como fruto arbitrário, interessado, mortificador, uma pura convenção, e entendendo por natureza, não a natureza humana racional, mas a natureza humana sensível, animal, instintiva. E tentam criticar a validade desta lei, na verdade tão mutável conforme os tempos e os lugares, bem como a sua utilidade comumente celebrada: não é verdade - dizem - que a submissão à lei torne os homens felizes, pois grandes malvados, mediante graves crimes, têm freqüentemente conseguido grande êxito no mundo e, aliás, a experiência ensina que para triunfar no mundo, não é mister justiça e retidão, mas prudência e habilidade.

Então a realização da humanidade perfeita, segundo o ideal dos sofistas, não está na ação ética e ascética, no domínio de si mesmo, na justiça para com os outros, mas no engrandecimento ilimitado da própria personalidade, no prazer e no domínio violento dos homens. Esse domínio violento é necessário para possuir e gozar os bens terrenos, visto estes bens serem limitados e ambicionados por outros homens. É esta, aliás, a única forma de vida social possível num mundo em que estão em jogo unicamente forças brutas, materiais. Seria, portanto, um prejuízo a igualdade moral entre os fortes e os fracos, pois a verdadeira justiça conforme a natureza material, exige que o forte, o poderoso, oprima o fraco em seu proveito.

Quanto ao direito e à religião, a posição da sofística é extremista também, naturalmente, como na gnosiologia e na moral. A sofística move uma justa crítica, contra o direito positivo, muitas vezes arbitrário, contingente, tirânico, em nome do direito natural. Mas este direito natural - bem como a moral natural - segundo os sofistas, não é o direito fundado sobre a natureza racional do homem, e sim sobre a sua natureza animal, instintiva, passional. Então, o direito natural é o direito do mais poderoso, pois em uma sociedade em que estão em jogo apenas forças brutas, a força e a violência podem ser o único elemento organizador, o único sistema jurídico admissível.





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April 28, 2017 at 11:57PM
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terça-feira, 16 de maio de 2017

Conceito de substância para Aristóteles

Conceito de substância para Aristóteles
Texto didático para o curso de metafísica – C. F. Costa – ppgfil/UFRN http://textosdefilosofiacontemporanea.blogspot.com.br/
 O QUE É A SUBSTÂNCIA?
                                     
                                                           A natureza ama ocultar-se.
                                                           Heráclito                                         
     O termo substância é uma tradução da palavra latina substantia, que significa aquilo que está sob, que fundamenta. Substantia, por sua vez, é uma tradução latina do termo grego ousia, que significa ‘o ser’. Substância é um termo de arte filosófico que, diferentemente de muitos outros (como verdade, significado, causa...) não tem equivalente apropriado na linguagem ordinária. Nessa última chamamos geralmente de substância o stoff constitutivo das coisas como o ferro, o carbono, o plástico, o óleo de linhaça... o qual é quimicamente definível em termos de combinações de átomos com propriedades específicas. A palavra ‘coisa’ tem um significado aproximado. Ela se refere geralmente a objetos materiais. Mas a substância não é o mesmo que o objeto material, que tem todas as suas propriedades à mostra. Ela é aquilo que fundamenta, que em algum sentido está sob (sub-stare) a coisa visível.
     Qual é a razão original para a introdução do conceito de substância? A resposta é: para a explicação da mudança. Quando as coisas materiais mudam, mudam as suas propriedades. Um pedaço de cera, quando aquecido, deixa de ser sólido e opaco para tornar-se líquido e transparente. Nesse caso, por que dizemos que ele ainda é o mesmo? A resposta é: porque a sua substância permaneceu a mesma. Há dificuldades com essa resposta. Afinal, coisas como a massa e o peso do pedaço de cera também são propriedades, que no caso permaneceram as mesmas. No que se segue quero historiar brevemente a evolução do conceito de substância na filosofia, propondo no final que ele seja explicado em termos de conceitos físicos fundamentais.
     O conceito aristotélico de substância
     Aristóteles sugeriu vários conceitos de substância. Eles são supostamente complementares, mas ele não explicou suficientemente as relações entre eles. Podemos classificar os principais dentre esses conceitos como sendo 1) aquilo que não é predicável; 2) aquilo que existe independentemente; 3) aquilo que permanece através da mudança; 4) a união da matéria e da forma essencial.
     A definição de substância como aquilo que não é predicável é a seguinte:
Aquilo que é chamado de substância mais estritamente, primariamente e acima de tudo, é aquilo que nem é dito de um sujeito nem em um sujeito, por exemplo, o homem individual ou o cavalo individual(1).
     Aristóteles propõe aqui critérios lingüísticos: a substância é aquilo que não pode ser designado por um predicado como pertencendo a um sujeito ou estando nele, dando como exemplos de substâncias particulares concretos como este homem e aquele cavalo. Apesar de interessante, essa sugestão é ontologicamente insatisfatória, pois não chega a dizer o que a substância é.
     Na segunda definição, a substância é concebida por Aristóteles como aquilo que existe independentemente. Enquanto uma propriedade depende da substância para existir, a substância não depende da propriedade para existir. Se as substâncias primárias não existissem seria impossível para qualquer das outras coisas existir(2). Isso vale mesmo para o que ele chama de substâncias segundas, que são predicados distinguindo os tipos de coisa que são substâncias, como ‘...é um homem’, ‘...é um cavalo’. Sendo assim resta a pergunta: o que é aquilo que existe independentemente?
     Vejamos agora a concepção de substância como aquilo que permanece através da mudança:
O distintivo da substância é que ela é numericamente uma e a mesma e que é capaz de receber contrários. Em nenhum outro caso podemos ter algo numericamente único, que seja capaz de receber contrários.(3)
     Além da dificuldade colocada no início, essa definição trás consigo uma outra, levantada pelo próprio Aristóteles, qual seja: a de que há outras coisas que não são substâncias e que podem sofrer mudanças. Uma crença, por exemplo, pode deixar de ser considerada verdadeira para ser considerada falsa. A resposta de Aristóteles é que a mudança da crença é extrínseca a ela, enquanto a mudança na substância ocorre nela mesma; em outras palavras, só substâncias sofrem mudanças intrínsecas. Mas que dizer de uma superfície que muda a sua forma? Não é essa uma mudança intrínseca? Contudo, ninguém diria que a superfície é substancial.
     A quarta e mais sofisticada definição é a que aparece na Metafísica. Nesse texto, após rejeitar a idéia de que a substância seja apenas a matéria (o substrato), posto que isso não daria conta da separabilidade e individualidade da substância, ele conclui que
A forma e o composto de matéria e forma parecem ser mais substância do que a matéria(4).
      A substância é, pois, a forma individuadora da matéria(5). Contudo, à parte a dificuldade de que formas são universais, enquanto a substância é um particular, o que seria essa forma substancial? Os melhores candidatos seriam espécies como ‘homem’ e ‘cavalo’, dificilmente distinguíveis do que Aristóteles chamava de substâncias segundas (designata de nomes substantivais), que são categorias predicáveis da substância primeira, da substância em sentido próprio. Além disso, espécies são constituídas de propriedades, as quais são também universais. A última sugestão de Aristóteles é tão mais refinada quanto controversa.
O conceito de substância na filosofia moderna
     Filósofos como Descartes e Locke desenvolveram a idéia de que a substância é um substrato independente, em relação ao qual as propriedades ou atributos subsistem ou inerem. Descartes, como dualista, sugeriu a existência de duas substâncias: a extensa, constitutiva dos corpos físicos, e a pensante, constitutiva das almas e mais propriamente de Deus. Elas se distinguem pelos seus atributos essenciais, que são respectivamente a extensão e o pensamento(6). Por não se confundir com os seus atributos a substância torna-se assim um substrato nu.
     Também para Locke a substância tem a ver com um substrato nu que dá unidade aos atributos a ele inerentes. Como observou Locke:
Não podendo imaginar como as idéias subsistem por si mesmas, acostumamo-nos a supor um substrato no qual elas subsistem e do qual resultam, o qual chamamos de substância(7).
     Essa concepção de substância admite duas formas: 1) ela é o substrato nu, incognoscível; 2) ela é o complexo formado pelo substrato nu e pelo conjunto de qualidades a ele inerente que constituem a sua espécie (sortal), como o homem ou o cavalo.
     Em qualquer dessas versões ela é problemática. O teorista do substrato nu precisa atribuir ao substrato várias propriedades: ele deve ser tal que as propriedades devem subsistir nele, ele tem a propriedade de ser concreto, tem a propriedade de ser uma substância e, além disso, a propriedade de não ter nenhuma propriedade, o que parece tornar a idéia de substância contraditória. Além disso, a idéia de um substrato em si mesmo incognoscível não satisfaz um razoável princípio da verificação. E se isso vale para a primeira versão da teoria, vale também para a segunda.
     Outra teoria da substância é aquela segundo a qual ela se caracteriza por ser independente de outras entidades. Já vimos essa idéia em Aristóteles quando ele sugeriu que substâncias não são objetos de predicação. Contudo, ela aparece mais claramente em Descartes, segundo o qual substâncias são o que existe por si mesmo sem precisar de nenhuma outra coisa para existir. Para Descartes, a única coisa que satisfaz essa definição completamente é Deus; as outras substâncias são as que só dependem de Deus e de mais nada para existir.
     O filósofo que mais se valeu da teoria da independência da substância foi Spinoza. Eis a sua famosa definição:
Por substância entendo aquilo que é em si mesmo e que por si mesmo é concebido; ou seja: o seu conceito não requer o conceito de outra coisa de cujo conceito ele seja formado(8).
Nesse sentido, a substância não pode ter a sua existência causalmente produzida ou sustentada por qualquer entidade. Tal substância é para Spinoza o universo inteiro, o qual possui um número infinito de atributos, apenas dois deles sendo acessíveis à mente humana: a extensão e a consciência. Contudo, essa concepção se opõe ao senso comum, para o qual há muitas substâncias constitutivas das coisas particulares.
     A última concepção a ser considerada é a teoria do feixe (bundle ou cluster theory). Há duas versões fundamentais, ambas aludidas por Hume(9). A primeira é eliminativista: substâncias não existem. O que existe são feixes de entidades não-substanciais. A outra versão é reducionista: substâncias nada mais são do que os próprios feixes de entidades insubstanciais. Hume dá a entender essa última versão ao considerar que a idéia da substância é apenas a de uma coleção de idéias simples, unidas pela imaginação.
     Segundo essa última teoria, uma substância é um conjunto ou coleção de não-substâncias do tipo apropriado; uma maçã, por exemplo, constitui-se de certa cor, certo gosto, certo odor, figura e consistência que se encontram juntas. A noção de conjunto é aqui problemática, posto que conjuntos são entidades abstratas e substâncias são concretas. A palavra coleção é mais adequada, entendendo-se por ela uma soma mereológica (das partes) de entidades.
     Há também a questão da natureza dos componentes não-substanciais que compõem a coleção. Para uns trata-se de propriedades universais, como o vermelho em si e a forma esférica em si. A objeção a isso é que se a substância se identifica com um feixe de entidades abstratas, ela mesma passa a ser uma entidade abstrata. Ora, como a substância é intuitivamente uma entidade concreta, espácio-temporalmente localizável, essa concepção é inadequada.
     Uma outra solução é a que identifica os componentes não-substanciais com estados mentais, impressões de sensação e de reflexão, no dizer de Locke. Essa solução, que já foi chamada de colecionismo fenomenalista, parece ser igualmente problemática, posto que ela também deixa sem explicação as substâncias concretas que constituem o mundo físico(10).
     Uma solução mais auspiciosa seria a que se vale de propriedades instanciadas (property-instances) ou tropos (tropes) como partes, ou seja, de propriedades espácio-temporalmente localizadas, às quais temos acesso experiencial no sentido mais amplo possível, o que inclui propriedades físicas e mentais, simples e complexas. Essa posição, o colecionismo dos tropos, também está aberta a objeções.
     Uma primeira é a de que intuitivamente nenhuma propriedade da substância é parte da substância. Por exemplo: a forma e o tamanho de um objeto material não parecem ser partes de sua substância. Outra objeção refere-se à unidade das qualidades. Considere a coleção dos violetas de uma beterraba, ou a coleção dos sentimentos que tenho ao ouvir uma música. Essas coleções não são substâncias. Como o colecionista pode excluí-las?
     Alternativas plausíveis
     Uma primeira sugestão alternativa para a qual quero acenar começa com o abandono da teoria do feixe de tropos – que combinados parecem constituir objetos materiais, mais do que substâncias – por uma tentativa de encontrar tropos essenciais, necessariamente presentes em qualquer caso de entidade material. Quais seriam eles? A solidez, por exemplo, é comum a todos os corpos materiais. Ela vem acompanhada de certa forma e volume. Mas forma e volume podem variar. Ademais, líquidos como a água de um copo, ou gazes como o ar de um balão, não são sólidos, embora também contenham substâncias.
    Se formos além e buscarmos alguma coisa única e essencial a todas as entidades materiais, a resposta natural é que ela é a própria matéria, definida em física como tudo aquilo que ocupa um espaço (volume). O conceito de matéria está intrinsecamente associado ao de massa (ou de massa-energia), definido pela física como a quantidade de matéria. A massa é em física duplamente definida como a medida da resistência do corpo à aceleração (massa inercial) e como aquilo que produz atração gravitacional em proporção à sua quantidade (massa gravitacional); como essas duas medidas sempre se mostraram proporcionais, elas devem ser medidas da mesma coisa. Pode parecer que esses conceitos de física sejam demasiado distantes do que Aristóteles possa ter tido em mente quando falou de substância. Contudo, devemos lembrar que o senso comum sempre teve implícita a idéia de matéria como aquilo que ocupa espaço e de massa como a resistência dos corpos às forças aplicadas a eles... Isso explica o fato de Aristóteles também ter podido identificar a substância à matéria.
     Só isso, contudo, não basta. É ainda necessário individuar uma porção de matéria de modo a poder distingui-la de outras, introduzindo uma exigência de continuidade de localização. Em outras palavras: a massa precisa ser espácio-temporalmente localizável, e o seu deslocamento, caso ocorra, deve obedecer a certa ordem de continuidade. A substância passa então a ser definida como a matéria continuamente localizável. Com efeito, uma matéria continuamente localizável é um substrato capaz de permanecer através de mudanças. Ela é constatável através de um “atributo essencial”, a massa, que se faz reconhecível através dos tropos a ela associados, como os de solidez, forma, volume... que são acessíveis aos sentidos. Parece que com essa interpretação seria possível resgatar a noção de substância como o substrato último.
     Contra essa sugestão é fácil objetar que quando identificamos coisas no tempo é freqüente que a matéria possa ser substituída sem que o suporte da mudança se modifique, seja ele qual for. Assim, podemos substituir a cabeça de um martelo e, tempos depois, o cabo, e ainda assim dizer que é o mesmo martelo, o mesmo se dando com vegetais e animais que, com o passar dos anos, têm toda a sua matéria corpórea substituída. Neste caso, o que permanece durante a mudança não é mais a substância, entendida como o substrato último, mas a substância entendida como objeto de predicações expondo um tipo de coisa que o objeto material ou o particular continuamente localizado é, ou seja, um martelo, uma árvore, um animal, uma pessoa. Essa última sugestão nos trás de volta à sugestão dos sistemas de tropos. Ela nos afasta da idéia de substrato, mas faz-nos recordar das duas primeiras definições aristotélicas e sugere uma resposta mais satisfatória à questão do que permanece através da mudança(11).
Notas:
1 Aristóteles: Categorias, sec. 5.
2 Aristóteles: Categorias, sec. 5.
3 Aristóteles: Categorias, sec. 5.
4 Aristóteles: Metafísica, VII, sec. 3.
5 Howard Robinson: “Substance”, in Stanford Encyclopedia of Philosophy (internet 2004), p. 5.
6 René Descartes: Discourse de la Methode, cap. IV.
7 John Locke: Essay Concerning Human Understanding, livro 1, cap. XXIII, § 1.
8 Baruch Spinoza: Ethica Ordine Geometrico Demonstrata, Parte I, Definições III.
9 J. Hoffman & G. S. Rosenkrantz: Substance: its Nature and Existence (Routledge: London 1997), pp. 26-27.
10 J. Hoffman & G. S. Rosenkrantz: Substance: its Nature and Existence, p. 29.
11 Um desenvolvimento dessa alternativa encontra-se em David Wiggins: Sameness and Substance (Cambridge University Press: Cambridge 1996, sec. ed.).


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May 16, 2017 at 10:58PM
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quinta-feira, 4 de maio de 2017

A flecha quântica do tempo: Por que o tempo não anda para trás

A flecha quântica do tempo: Por que o tempo não anda para trás

A flecha quântica do tempo: Por que o tempo não anda para trás

JR Minkel - Physical Review Focus -  22/01/2010
A flecha quântica do tempo: Por que o tempo não anda para trás
Não importa quantas vezes você misturar leite no seu café, você nunca os verá se desmisturarem espontaneamente graças ao inescapável aumento na entropia do Universo. Mas as leis da física não têm preferência pela direção do tempo. [Imagem: iStockphoto/danesteffes/PRF]
A seta do tempo e a entropia
As leis matemáticas da física funcionam tão bem para os eventos do passado quanto para os eventos do futuro. No entanto, nunca no mundo real a porção de café em uma xícara se desmisturou do leite.
Agora, uma nova teoria pretende oferecer uma nova explicação para este aparente conflito entre a simetria do tempo das leis físicas e a chamada "seta do tempo", sempre apontando para o futuro, que nós vemos nos eventos cotidianos.
Quando vistos em termos quânticos, os eventos que aumentam a entropia do Universo deixam registros de si mesmos em seu ambiente. Os pesquisadores propõem que eventos que dessem marcha a ré no tempo, indo para o passado, reduziriam a entropia, não podendo deixar qualquer vestígio de terem ocorrido, o que equivale a não terem de fato ocorrido.
Termodinamicamente falando, sempre que dois corpos de temperaturas desiguais são postos juntos, a energia flui entre eles até igualar as duas temperaturas. Associado com essa difusão de calor está um aumento na quantidade conhecida por entropia. Tanto quanto saibamos, o calor nunca flui espontaneamente no sentido inverso, e a entropia do Universo está sempre aumentando.
Reverter a seta do tempo seria equivalente a diminuir a entropia, por exemplo, se um objeto a uma temperatura uniforme espontaneamente se aquecesse em um ponto e se resfriasse em outros.
O demônio de Maxwell
Em um experimento mental do século 19, um poderoso diabinho chamado demônio de Maxwell foi capaz de realizar uma separação assim para um gás ao conhecer a posição e a velocidade de cada molécula do gás no interior de uma caixa com uma partição.
Usando um obturador em um buraco na partição, o demônio retém as moléculas de alta energia em um lado e permite que as moléculas de baixa energia se juntem do outro lado.
Acontece que o demônio teria de gastar energia e aumentar a sua própria entropia, de modo que a entropia total do Universo continuaria subindo.
Do fluxo de calor para o fluxo de informação
No mundo quântico, o demônio redutor de entropia teria uma tarefa diferente porque, na versão da mecânica quântica da entropia, não é o calor que flui quando a entropia muda, é a informação.
Lorenzo Maccone, da Universidade de Pavia, na Itália, agora descreveu uma outra experiência mental para ilustrar as consequências da redução da entropia quântica.
Uma pesquisadora, Alice, mede o estado do spin de um átomo enviado por seu amigo Bob, que está, em tudo o mais, totalmente isolado do laboratório de Alice. O átomo está em um estado combinado (superposição) de spin para cima e spin para baixo simultaneamente, até que Alice o meça, quando então ele se mostrará para cima ou para baixo.
Do ponto de vista de Alice, seu laboratório ganha um único bit de informação do exterior, que é então copiado e gravado em sua memória e no disco rígido do seu computador. Esta informação que flui do átomo para o laboratório aumenta a entropia, do ponto de vista de Alice.
Maccone argumenta que, como Bob não vê o resultado, do seu ponto de vista o estado do spin do átomo nunca se resolve em para cima ou para baixo. Em vez disso, ele torna-se quantum-mecanicamente correlacionado, ou entrelaçado, com o estado quântico do laboratório. Ele não vê nenhum fluxo de informação e nenhuma mudança na entropia.
Apagando o passado
Bob desempenha o papel do demônio de Maxwell. Ele tem o controle total do estado quântico do seu laboratório. Para reduzir a entropia do laboratório, do ponto de vista de Alice, Bob inverte o fluxo daquele bit de informação removendo qualquer registro do spin do átomo do disco rígido de Alice e do seu cérebro.
Ele faz isso por meio de uma complicada transformação que desentrelaça o estado quântico do laboratório do estado quântico do átomo. Maccone escreve em seu artigo que tal reversão não viola as leis da física quântica.
Na verdade, da perspectiva de Bob, a informação quântica do átomo mais o laboratório de Alice é a mesma quer os dois estejam entrelaçados ou não - não há mudança na entropia como quando se olha de fora.
Irreversibilidade do tempo
Essa reversão poderia acontecer na vida real, afirma Maccone, mas porque o Universo - como Alice - não manteria nenhuma lembrança deles, eles não teriam nenhum efeito sobre como nós percebemos o mundo.
O artigo passa a mostrar matematicamente como este raciocínio se aplica de forma geral, com o Universo tomando o lugar de Alice.
Jos Uffink, da Universidade de Utrecht, na Holanda, aceita alguns aspectos do trabalho mas não está totalmente convencido. "O observador pode muito bem reter uma memória parcial do evento," depois do processo de redução da entropia, diz ele. Mesmo assim, ele chama a abordagem do artigo de "completamente nova" e as suas conclusões de "surpreendentes".
Uffink afirma que continua a haver um vigoroso debate sobre a relação entre a informação como uma quantidade física objetiva e a "irreversibilidade" aparente de tantos eventos no mundo ao nosso redor.
Bibliografia:

Quantum Solution to the Arrow-of-Time Dilemma
Lorenzo Maccone
Physical Review Letters
Vol.: 103, 080401 (2009)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.103.080401



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May 04, 2017 at 08:18PM
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sábado, 22 de abril de 2017

Segunda Lei da Termodinâmica e o Criacionismo - Scientia



Segunda Lei da Termodinâmica e o Criacionismo

Neste artigo, transferimos uma série de observações que seriam postadas em nosso blog, e acrescentamos referências e explicações sobre diversas questões de Termodinâmica relacionadas à vida e seu processo evolutivo.

A típica argumentação criacionista

“O universo caminha de níveis organizados para níveis cada vez mais desorganizados”
Dentro do criacionismo esta lei é aceita porque propõe que Deus criou um mundo perfeito, entretanto, o pecado ao se instalar no mundo iniciou um processo de destruição, desorganização das espécies, isto torna o criacionismo aceito dentro da lei da termodinâmica, enquanto o evolocionismo não pode ser aceito porque diz que o universo caminha de níveis desorganizados para níveis organizados.

Histórico

Consta, pelo The TalkOrigins Archive que a idéia errônea de que entropia da termodinâmica seja o mesmo de desordem foi primeiro divulgada por Duane T.Gish, do Institute for Creation Research (Instituto para Pesquisa da Criação).

Tratando a questão inicialmente, e sob Física

Tendo lido no passado inúmeras vezes sobre o “argumento da segunda lei da termodinâmica”, escrevi já há anos um texto, chamado por alguns e por mim de “o postão insuportável”, que é o núcleo do que agora apresento:
A Primeira Lei da Termodinâmica é dada por:
            Delta E = Delta H + W
(Variação da Energia Interna é Igual A Variação da Quantidade de Calor mais Trabalho Realizado (sobre o Sistema)
Ela é afirmada pela nossa plena confiança na Lei da Conservação da Energia da Mecânica Newtoniana, que diz:
            O somatório das Energias de um Sistema é constante. (E com esta muitas vezes confundida.)
Que conjuntamente ao Princípio da Conservação das Massas de Lavoisier, conjuntamente a Teoria Geral da Relatividade, resulta:
            Num sistema isolado a energia relativística (massa-energia) total é conservada, quando medida em qualquer sistema inercial dado.
A Segunda Lei da Termodinâmica é descrita por:
            É impossível qualquer processo que envolva nada mais do que a transferência de calor de um corpo frio para outro quente. (Enunciado de Clausius).
Ou:
            Não é possível qualquer processo no qual ocorra apenas a conversão de energia térmica de um único reservatório em trabalho macroscópico. (Enunciado de Kelvin-Planck)
Ou simples e mas grosseiramente: “Calor sempre passa de um corpo mais quente para outro mais frio.”
Agora entendamos o seguinte: A Primeira Lei é o que chamamos em Ciência de “lei”, de um “princípio universal”,  ou seja, jamais foi evidenciado evento ou experimento que a contradiga, nem existe modelo físico-matemático possível apresentado que a contradiga ao menos em teoria, logo, podemos estruturar toda a Física relacionada nela, temos nela “altíssima confiança”. Eu a chamaria de “Popperianamente Absoluta”.
Já a Segunda Lei é uma tendência probabilística, ela expressa uma “certeza estatística” (uma alta tendência para que os resultados, processos, sejam estes) para eventos “multi-partículas”. Não é uma tendência geral da natureza, apenas temos confiança nela para sistemas de grande número de partículas, como a matéria normalmente se apresenta na maioria dos casos na Físico-Química, Engenharia, etc.
Mas trata-se de uma má interpretação até corrente que a segunda lei da termodinâmica indica (ou determina) que a entropia termodinâmica de um sistema jamais decresça. Como dizemos, indica só uma tendência do sistema, em outras palavras, apenas indica que é extremamente improvável que a entropia de um sistema fechado decresça em um instante (ou até período de tempo) dado.
Como a entropia da termodinâmica está relacionada ao número de configurações de mesma energia que um dado sistema pode possuir, os físicos se valem do conceito subjetivo de desordem para facilitar a compreensão da segunda lei (embora entropia da termodinâmica, como vimos, não seja essencialmente desordem). Ou seja, a segunda lei pelo que mostramos, afirma, de maneira muito genérica e grosseira, que a desordem de um sistema isolado só pode crescer ou permanecer igual.
Entendido isso, coloquemos:
Toda a vida na Terra, obedeceu, na sua “Criação” ou “Evolução” como queiram, certamente, a Primeira Lei. O somatório de todos as alimentações, mais todas as excreções, todas as respirações, todas as sínteses de componentes, todo o calor absorvido ou gerado,  todas as fossilizações, todos os descendentes, quer evoluam, mutem ou se alterem, na história da terra, independentemente deste período de tempo, é constante (dentro do universo, evidentemente, pois a vida perde energia, juntamente com a Terra e o próprio sistema solar, para o espaço exterior), simplesmente isso!
Quanto a Segunda Lei podemos fazer algumas observações.
Desde o surgimento (não interessa se por “Criação” ou Biopoeise – do grego bio, vida, maispoiéo, produzir, fazer, criar), não interessando evolução. Os seres vivos, que são sistemas multi-moleculares, obrigatoriamente, e antes de tudo, toda grande molécula é multi-atômica, tenderam e tendem à Segunda Lei. Todo o calor absorvido pelos animais foi perdido para o ambiente quando este mais frio e todo o calor gerado por estes também.[2]
Obs.: Temos um problema não com o modelo Criacionista do ponto de vista biológico, mas também geológico, quando do criacionismo de “Terra Jovem”*, quando evidenciamos que o esfriamento das placas tectônicas implica necessariamente num tempo plenamente explicado pela Termodinâmica, num conceito que chamo (e não só eu) de “Inércia Térmica”, que é o conceito por trás do que seja esfriamento, mas esta abordagem é por demais extensa para este primeiro enfoque.
*Aquele que afirma que a Terra e o próprio universo tem em torno de 6000 anos.
Novamente no tema desta artigo, tentar usar Termodinâmica para “justificar” o Criacionismo é improfícuo num primeiro momento e desastroso num segundo, como em breve pretendo demonstrar.
Antes, um conselho metafórico aos Criacionistas:
Tentar usar a Termodinâmica para atacar a evolução como fato e a Teoria da Evolução, como modelo que o trata (aquilo que até erroneamente é chamado de “evolucionismo”), pode ser como tentar tirar um cisco do olho com um faca, pode não ter bom resultado…

Consequências da termodinâmica dos criacionistas para a vida (e o mundo)

Nota: Quem ler o texto a seguir, perceberá nitidamente a semelhança de partes do texto com o artigo da Wikipédia em português sobre tal tema, mas não se assustem, pois o texto da Wiki é basicamente, meu.
Tratemos como exemplo que o “fenômeno miraculoso da criação” contraria a segunda lei da termodinâmica com os exemplos cristalinos de que os ursos polares no Ártico, os pinguins e as destacadas focas de Weddell, o animal que vive mais ao extremo sul, nas mais baixas temperaturas da Terra, na Antártica, com seus correspondentes surgimentos miraculosos, com temperaturas corporais altas, com sua complexa organização a partir do “nada” em meio a um ambiente completamente frio.

Uma foca de Weddell, quente em meio ao frio, e gerando sua complexidade,
graças a liberdade que a entropia permite aos seres vivos e a ingestão de gordura,
que nasce como fonte de energia na cadeia alimentar.
Este argumento poderia ser estendido para praticamente todos os animais homeotermos, que em geral, habitam ambientes de temperaturas mais baixas que a temperatura estável de seus corpos.
Igualmente, se como alegam os criacionistas, fosse a 2a lei, não poderia ocorrer a própria vida, pois seria impossível a síntese de proteínas, sua polimerização a partir de aminoácidos (partindo de moléculas “simples”, gerando complexas), a síntese/duplicação do RNA/DNA, a produção de glicose a partir de dióxido de carbono e água, duas moléculas coincidentemente com três átomos que reagindo sob catálise produzem moléculas de 24 átomos e a consequente polimerização da glicose, seja em dextrinas, em amidos ou na longa celulose.
Também seria impossível a organização de células a partir da divisão de um óvulo fecundado, ou mesmo qualquer organização das diversas fases dos embriões.

Desenvolvimento embrionário, gerando ordem a partir de unidades simples, 



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April 22, 2017 at 09:59PM
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